Velho Testamento: a revelação divina


A maioria dos povos no mundo pré-cristão seguia diversas crenças e cultos politeístas.

Havia, entretanto, um povo escolhido para o qual Deus confiou conhecimento de si mesmo, da criação do mundo e do começo da existência. Os antigos judeus conheciam Deus não através de livros, nem da deliberação de homens sábios, mas de sua experiência antiga. Noé, Abraão, Isaque, Jacó, Moisés, Elias, e os muitos homens e mulheres justos de Israel, não apenas contemplavam Deus e oravam a ele - eles o viam com seus próprios olhos, conversavam com ele face a face, 'andavam' perante ele.

Cada uma das revelações de Deus no Velho Testamento traz uma natureza pessoal. Deus é revelado à humanidade não como uma força abstrata, mas sim como um Ser vivente, que pode falar, ouvir, ver, pensar e ajudar. Deus toma uma parte vital e ativa na vida dos israelitas. Quando Moisés lidera o povo para fora do Egito em direção à Terra Prometida, Deus vai adiante na forma de uma coluna de fogo. Deus habita entre o povo, conversa com eles e vive na casa que construíram para ele. Quando o Rei Salomão completa a construção do Templo, ele chama Deus a habitar lá. Deus, que habita em escuridão, que é cercada por grande mistério - o qual o céu e a terra, isto é, os mundos visível e invisível, não podem conter - vem ao povo e vive onde eles querem que ele viva, onde reservaram para ele um lugar.

Este é o aspecto mais chamativo sobre a religião da revelação: Deus permanece sob o véu do mistério, permanece incognoscível e, entretanto, está tão próximo das pessoas que elas podem chamá-lo 'nosso Deus' ou 'meu Deus'. Aqui encontramos o abismo entre a revelação divina e as realizações do pensamento humano: o Deus dos filósofos permanecia abstrato e sem vida, enquanto o Deus da revelação é um Deus vivo, próximo e pessoal. Ambos os caminhos levam-nos a entender que Deus é incompreensível e um mistério; mas a filosofia abandona-nos ao pé da montanha, proibindo-nos de avançar, enquanto a religião leva-nos às alturas onde Deus habita na escuridão, atraindo-nos para a nuvem do desconhecido onde - para além de toda palavra e dedução racional - o mistério de Deus abre-se diante de nós.